PSD, Passos Coelho e Cavaco Silva em quebra no Barómetro Político

De acordo com os dados de Janeiro do Barómetro Político da Marktest, a intenção de voto no PSD e o saldo de imagem do Primeiro-ministro e do Presidente da República registaram uma quebra face aos valores apresentados em Novembro.

Grupo Marktest,  31 janeiro 2012

Intenção de Voto: Se as eleições para a Assembleia da Republica fossem hoje, o PSD voltaria a ganhar com um valor muito próximo, do alcançado a 5 de Junho de 2011, com 37.6% dos votos. O PS ficar-se-ia pelos 25.2% dos votos.

De acordo com a intenção de voto para a Assembleia da Republica recolhida no Barómetro Político da Marktest de Janeiro 2012, são visíveis as alterações ocorridas entre Novembro do ano passado e o actual momento: o PSD regista uma quebra de -7.8 pontos percentuais na intenção de voto enquanto o PS e o BE sobem respectivamente 5.5 e 3.6 pontos percentuais.

De registar que a quebra na intenção de voto no PSD é mais acentuada junto dos inquiridos residentes na Grande Lisboa (-16,2 pontos percentuais), dos inquiridos com mais de 54 anos (-10,6 pontos percentuais) e dos inquiridos pertencentes às classes sociais C2/D (-9,1 pontos percentuais).

Por sua vez, os ganhos do PS fazem-se sentir sobretudo junto dos inquiridos do sexo masculino (mais 9,4 pontos percentuais), dos inquiridos com idade superior a 54 anos (mais 10,5 pontos percentuais) e dos residentes no Sul (mais 12,5 pontos percentuais.).

Com 7,7% de intenção de voto, o Bloco de Esquerda recupera o lugar de terceira força política que tinha perdido em Abril 2011 para a CDU, que ocupa agora o quarto lugar com 6.1% da intenção de voto (menos 1,8% do que em Novembro) e o CDS/PP passa para quinto lugar com 4% de intenção de voto.

Saldo de Imagem: Pedro Passos Coelho acusa o desgaste ao fim de 6 meses de governação

A acompanhar a quebra na intenção de voto registada pelo principal partido do Governo, também a imagem do Primeiro-ministro Pedro Passos Coelho regista quebras acentuadas: 54% dos inquiridos são de opinião que Pedro Passos Coelho tem tido uma actuação negativa. De um saldo de imagem positiva de 5.1% em Novembro de 2011, o actual Primeiro-ministro detém actualmente um saldo negativo de 18.5%. São os inquiridos com idade entre os 35 e os 54 anos (57,4%), os residentes no Litoral Centro (59%) e os pertencentes às classes sociais C1 (56,9%) e C2/D (56,5%) aqueles que lhe atribuem um desempenho mais negativo.

Também Paulo Portas é penalizado, quanto à sua actuação, na avaliação que foi feita pelos inquiridos, neste mês de Janeiro, já que o seu saldo de imagem negativo passou de -2.4% em Novembro face aos actuais -15,1%.

Contrariamente, os saldos de imagem dos líderes do Bloco de Esquerda e do PCP são agora ligeiramente mais favoráveis do que em Novembro. O mesmo não se pode afirmar face ao líder do principal partido da oposição, António José Seguro, cujo saldo de imagem se mantém negativo, sem grandes variações (-5.3% em Novembro de 2011 face aos actuais -5.6%).

O saldo de imagem resulta da diferença entre as opiniões positivas e as negativas, ponderada pelo peso das respostas expressas.

Presidente da República com a imagem mais negativa de sempre

Este mês assistimos simultaneamente a duas situações inéditas: Cavaco Silva regista a maior percentagem de avaliações negativas, desde que tomou posse como Presidente da República em 2006 e esse valor pela primeira vez é superior a 50%. Como Presidente da República, a actuação de Cavaco Silva nunca tinha sido avaliada de forma negativa por uma tão elevada percentagem de inquiridos.

No Barómetro realizado em Fevereiro de 2006 - logo a seguir à sua primeira vitória nas eleições presidenciais - 20,1% dos inquiridos consideravam que a actuação de Cavaco Silva era negativa e o seu saldo de imagem era de 19.5%. Agora, quase 6 anos depois, esse saldo passa para -16.0%.

Em Janeiro de 2012, Cavaco Silva regista 51,2% de opiniões negativas face à sua actuação (mais 15,9 pontos percentuais face a Novembro de 2011). São os inquiridos dos 18 aos 34 anos (55,0%), dos 35 aos 54 anos (54,2%), os residentes na Grande Lisboa (56,5%) e no Litoral Centro (59,7%) e os pertencentes às classes sociais A/B (55,5%) os que mais penalizam a actuação do Presidente da República.

A sua actuação pouco interventiva é na opinião da maioria dos entrevistados (69%) a principal razão que os leva a classificarem de forma negativa a actuação de Cavaco Silva. Estas referências destacam-se junto dos residentes na Grande Lisboa (91,2%) e no Grande Porto (85,4%).

Por seu lado, os cerca de 32% de inquiridos que ainda assim avaliaram a actuação do Presidente como positiva, apontaram como principais razões o facto de Cavaco Silva estar a fazer um bom trabalho (9%), pela sua neutralidade, e por interferir apenas nas alturas certas (ambas com 7.1%).

Os resultados deste Barómetro estão disponíveis aqui.

Consulte a Ficha Metodológica do Barómetro ou contacte-nos para mais informações sobre este assunto

Esta análise foi corrigida no dia 1 de Fevereiro de 2012.

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