Portugal com menos crianças e mais desigualdade territorial
Portugal com menos crianças e mais desigualdade territorial
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A evolução da natalidade nos concelhos portugueses nas últimas duas décadas evidencia uma tendência clara: nascem menos crianças em Portugal e a renovação geracional continua fortemente concentrada em alguns territórios.
Grupo Marktest
2 junho 2026

Segundo os dados do INE disponíveis no sistema de geomarketing Sales Index da Marktest e na sua aplicação web Municípios Online, nasceram em Portugal 84 642 crianças em 2024, menos cerca de 25 mil do que as 109 294 registadas em 2004.

Esta evolução corresponde a uma redução de 24% da taxa bruta de natalidade entre 2004 e 2024, que passou de 10.7‰ para 7.9‰. Para além da quebra dos nascimentos, mantém-se uma estrutura territorial marcada por fortes assimetrias demográficas.

A evolução da taxa de natalidade não foi uniforme ao longo destes 20 anos. Entre 2005 e 2013 registou-se uma descida acentuada, associada ao envelhecimento da população, ao adiamento da maternidade e aos efeitos da crise económica. Seguiu-se um período de estabilização e ligeira recuperação até ao final da década de 2010, mas nos últimos anos a tendência voltou a ser de enfraquecimento.

Apesar da diminuição generalizada da natalidade, o padrão geográfico manteve-se relativamente estável. As taxas mais elevadas continuam concentradas sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa e em alguns concelhos do Algarve. Em 2024, destacam-se Amadora, Odivelas, Loures, Sintra, Seixal, Moita, Albufeira e Loulé, todos com mais de 10 nascimentos por mil habitantes.

No extremo oposto encontram-se vários concelhos do interior Norte, Centro e Alentejo, onde a natalidade permanece muito reduzida. Em municípios como Carrazeda de Ansiães, Pinhel, Alcoutim, Almeida ou Sabugal, as taxas situam-se entre 2 e 3 nascimentos por mil habitantes.

A análise da evolução ao longo dos últimos vinte anos permite identificar quatro perfis territoriais distintos:

  • Concelhos metropolitanos e suburbanos jovens, com taxas de natalidade sistematicamente acima da média, beneficiando da concentração de famílias jovens e da capacidade de atração residencial.
  • Interior envelhecido, marcado por baixos níveis de natalidade ao longo de todo o período, refletindo a perda de população e o envelhecimento demográfico.
  • Concelhos de perfil intermédio, incluindo muitas capitais de distrito e cidades médias, cuja evolução acompanha de perto a tendência nacional.
  • Territórios particularmente dinâmicos, um grupo mais restrito de concelhos que mantém taxas elevadas mesmo num contexto nacional de declínio.

Embora a tendência geral seja de descida, alguns municípios conseguiram reforçar os seus indicadores ao longo do período analisado. Odivelas e Amadora destacam-se por apresentarem, em 2024, taxas de natalidade superiores às observadas no início da série. Também Odemira, Monchique, Alandroal e Vila Velha de Ródão registam evoluções positivas.

Em sentido contrário, Santa Cruz (Madeira), Barrancos, Ribeira Grande, Porto Santo e Sesimbra encontram-se entre os concelhos que registaram as quebras mais expressivas.

Estes dados mostram, assim, que o desafio da natalidade em Portugal não é apenas quantitativo, mas também territorial, exigindo respostas diferenciadas em função das características demográficas de cada concelho.

Estes dados, disponíveis no sistema de geomarketing Sales Index da Marktest e na sua aplicação web Municípios Online, refletem as mudanças demográficas, sociais e económicas que têm vindo a alterar os modelos tradicionais de família.

Contacte-nos para mais informações sobre este assunto.

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