Guida Veiga na 1ª pessoa


Guida Veiga

Concorreste...
... pela revelação da minha escrita.
O texto vencedor não foi criado para o Prémio Riacho. Resultou da fusão de dois “postais” que ilustravam uma ida para Lisboa no início do Verão e um regresso à cidade na despedida das férias. Foi um respirar com a montanha. Uma reflexão sobre a constância fictícia da natureza incutida pela ilusão dos sentidos que abriu os meus olhos à dimensão das relações humanas.

E o prémio?
O prémio, claro, constituiu também mais um motivo para concorrer. Talvez, se não houvesse concurso, acabasse por ficar com o texto na minha gaveta, sem que o pudesse revelar.

Escrever é...
... criar.
Escrevo pelo peso do passado e pela novidade do presente. Escrevo enquanto trinco o instante da maravilha.
Numa tentativa de fuga à recordação, liberto os meus sentidos e por eles me deixo guiar. Falo com o agora e, neste meu tempo de ócio, cheiro a eterna espontaneidade do mundo. Porque escrever é de facto estar em paz, em plena relação simbionte com o horizonte que me embala, numa viagem tão natural quanto os altos e baixos dessa paisagem que acompanha as oscilações da minha vida. Por isso escrevo. Pelo inesperado.
Escrever é procurar e procurar é, como já escrevi, ser livre!

O que te faz sorrir?
Um sorriso.

Quando fechas os olhos...
Não gosto de ter os olhos fechados!

Um cheiro para toda a vida:
O cheiro da terra molhada pelas primeiras chuvas do Outono.

Se fosses um alimento...
...era um Morango. Seria sentido nas pastilhas elásticas, nos gelados, iogurtes, bolos... nos doces momentos da vida.

Qual o melhor dia do ano?
O dia em que me sinto realizada.

O que te indigna?
A falta de sensibilidade. A injustiça.

Qual a profissão que nunca exercerias?
Qualquer uma que atentasse contra a vida (humana e animal).

Sentes-te autêntica quando...
...estou sozinha ou com alguém que gosta de mim, mesmo quando sou autêntica.

Se pudesses...
...viajava, viajava, viajava...

Batem à porta. Quem mais temes encontrar?
Temo não encontrar ninguém.

Amanhã poderás libertar-te do teu corpo e ocupar um outro. Quem gostarias de habitar?
Não quereria libertar-me. Se o fizesse perderia a minha identidade, deixaria de ser eu.

Se te dessem a oportunidade de saber o dia da tua morte, terias a audácia de desvendar os segredos do destino?
Não. Se o fizesse ficaria de tal modo preocupada com o meu desfecho que deixaria de me deslumbrar com a maravilha do desconhecido e a vida quer-se como o deslumbramento constante.

Finalmente, a máquina do tempo foi elaborada, tens a oportunidade de embarcar nela. Qual a data que inseririas no seu ficheiro?
Nunca uma data passada! Não me atrai ser personagem num filme que eu já conheço.
Ano 3003. Em que ponto está a evolução da vida?

Todos os relógios no mundo param. O tempo cansado adormeceu e não pretende acordar. Vida eterna, bom ou mau?
Mau. A vida deve ser vivida a cada momento com tal envolvimento que, no derradeiro instante, sentindo a nossa obra terminada, o corpo cansado e em plena harmonia com o espírito recebe a paz merecida.

Guida Veiga
(12º A)



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