O ano visto pelos portugueses

O ano visto pelos portugueses

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Uma análise dos dados do Barómetro Político da Marktest dá-nos a conhecer como é que os portugueses viram o ano de 2010, que agora findou.

Grupo Marktest
4 janeiro 2011

Intenção de Voto

Ao longo de 2010 foram grandes as alterações no que diz respeito à intenção de voto, sendo os grandes protagonistas os dois partidos com maior percentagem de intenção de voto: o PS e o PSD. O PS, que iniciou o ano com uma intenção de voto de 40.5%, encerra 2010 com apenas 26.9% (segundo os dados do Barómetro Político de Novembro - o último de 2010). Já o PSD, que em Janeiro não foi além de uma intenção de voto de 29.2%, chega a Novembro com 44.3%. Este partido alcança a primeira posição em Abril e, apesar da quebra nos meses de Julho e Setembro, não volta à segunda posição, que passa a ser ocupada pelo PS.

Relativamente aos restantes partidos com assento parlamentar, observa-se uma alternância em termos de terceira, quarta e quinta posição, no que respeita à de intenção de voto. Com efeito, como é possível observar no gráfico abaixo, as percentagens de intenção de voto no Bloco de Esquerda, na coligação CDU (PCP/PEV) e no CDS-PP chegaram mesmo a ser bastante próximas em alguns dos meses observados, nomeadamente em Maio e Setembro. É ainda de salientar o Bloco de Esquerda, que iniciou o ano com uma intenção de voto 5.5% (na última posição) e finaliza 2010 como a terceira força política, com 8.7% das intenções de voto.

Saldo de Imagem

No que respeita à imagem dos líderes partidários, observam-se algumas oscilações ao longo do ano. Contudo é possível dizer que, salvo o Presidente da República, Cavaco Silva, a avalização que os portugueses fazem dos seus líderes partidários é negativa, sendo o maior exemplo dessa avaliação o saldo de imagem apresentado pelo Primeiro-ministro e líder do PS, José Sócrates, que inicia 2010 com um saldo de -5.6% e chega a Novembro com -37.4%. É ainda de salientar o mês de Outubro que foi para o primeiro-ministro o pior em termos de saldo de imagem desde o início da sua legislatura (-46.7%). No que respeita ao líder do PSD, as grandes diferenças em termos de saldo de imagem correspondem à eleição de um novo líder para este partido. Se Manuela Ferreira Leite encerra a sua liderança em Março com um saldo de -46.5%, em Abril, após a eleição de Pedro Passos Coelho, o líder do PSD atinge os 8.9% e os 21.6% em Maio. É a partir desse mês que o saldo de imagem deste líder começa a diminuir, o que acontece até Outubro, quando alcança os -5.6% (o valor mais baixo). Em Novembro obtém nova avaliação positiva, mas que não vai além de 1.2%.

Para a maioria dos líderes partidários, podemos dizer que é a partir de Maio que começa o declínio do seu saldo de imagem, não se verificando nenhuma subida significativa. À excepção de Pedro Passos Coelho, todos os líderes partidários chegam a Novembro com um saldo de imagem negativo.

Em termos de valor médio anual, José Sócrates obteve um saldo amplamente negativo (-27.3%). Também os líderes do PCP e BE não foram além de -3.6% e -2.4%, respectivamente. Já o líder do CDS-PP, Paulo Portas, apesar do saldo de imagem negativo dos últimos dois meses, obteve uma média anual positiva, de 3.7%. O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, que registou avaliações negativas entre Julho e Outubro, obteve também um saldo médio anual positivo, de 5.6%. Foram assim apenas estes dois líderes os que registaram saldos médios positivos em 2010.

O saldo de imagem resulta da diferença entre as opiniões positivas e as negativas, ponderada pelo peso das respostas expressas.

Índice de Expectativa

No que respeita ao índice de expectativa, os valores apresentados no último ano foram muito baixos, chegando mesmo nos últimos dois meses em análise a atingir o pessimismo acentuado (quando o valor do índice de expectativa é inferior a 25%). Estes dados mostram que os portugueses se apresentaram muito pessimistas ao longo de todo o ano, especialmente no mês de Outubro quando se observou o valor mais baixo de sempre deste índice, que não foi além de 14.5%.

Nas duas componentes deste índice, é possível observar que a expectativa face à situação económica do país é, de um modo geral, mais baixa do que a expectativa face à situação económica do agregado familiar, o que significa que os portugueses antevêem dificuldades económicas no próximo ano, mas maiores para o país em geral do que para as suas famílias em particular.

O Índice de Expectativa é um indicador recolhido regularmente pela Marktest desde Março de 1990, junto de indivíduos com 18 e mais anos, residentes em Portugal Continental.

Para a aferição do índice utilizamos uma base de cerca de 800 entrevistas.

Aos inquiridos são colocadas 2 questões:

- Pensa que daqui a um ano a sua situação económica e pessoal e a do seu agregado familiar será Melhor, Igual ou Pior?
- E em relação à situação económica do país, pensa que daqui a um ano ela será Melhor, Igual ou Pior ?

O Índice de Expectativa face à situação económica resulta da conjugação das respostas obtidas a estas duas questões. Para a construção do índice é atribuído um valor de 100 às respostas "MELHOR", 50 às respostas "IGUAL" e 0 às respostas "PIOR", não entrando na análise os indivíduos que não responderam às questões. O índice geral resulta de uma média dos índices parciais. Valores acima dos 50 pontos traduzem expectativas positivas e valores abaixo dos 50 pontos traduzem expectativas negativas, aconselhando-se para a interpretação dos resultados a seguinte grelha de análise:

Valor do Índice de Expectativa
0-25 Pessimismo acentuado
25-50 Pessimismo moderado
50-75 Optimismo moderado
75-100 Optimismo acentuado

Os resultados deste Barómetro estão disponíveis aqui.

Consulte a Ficha Metodológica deste Barómetro ou contacte-nos para mais informações sobre este assunto

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