Sondagens e eleições

Sondagens e eleições

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Luís Queirós, Chairman do Grupo Marktest, reflecte sobre as sondagens políticas e os resultados das recentes eleições Presidenciais.

Marktest Investimentos
25 janeiro 2011

Luís Queirós,
Chairman do Grupo Marktest
Os resultados das eleições presidenciais vieram confirmar aquilo que eu referi na TSF na semana passada, em consonância com o que a sondagem da Marktest para a TSF e Diário Económico revelava. A vitória de Cavaco à primeira volta, a inesperada queda de Alegre, que dificilmente iria segurar a votação de há 5 anos, e uma surpreendente votação em Fernando Nobre. Apontavam ainda os resultados para um abaixamento da votação de Lopes em relação à da coligação CDU. O inesperado "salto" de Coelho, talvez por ser fugaz e tardio, devo confessar, escapou à objectiva da sondagem.

Mas a verdade é que os resultados das eleições quando confrontados com os resultados da sondagem mostraram que existiram desvios para lá da margem de erro e, reparo agora, outros acertaram mais do que nós e reclamam os louros. Eu posso, claro, atribuir isso à abstenção, ou ao facto de o trabalho de campo se ter realizado uma semana antes das eleições, ou até ao insuficiente tamanho da amostra e ao erro associado. Mas não vou apresentar justificações nem desculpas. O que eu digo é que numa amostra de 802 eleitores, representativa dos portugueses do Continente, de entre aqueles que, no momento da sondagem, aceitaram exprimir a sua intenção de voto, 62% indicaram que iam votar Cavaco, 15% indicaram que iam votar Alegre, e 13% indicaram que iriam votar Nobre. Da nossa parte não nos competia dizer mais nada. Os politólogos e os sociólogos que façam o resto.

Alguns candidatos reagiram mal, e apressaram-se a criticar, não admira. E até houve logo quem, seguramente sem ter lido a ficha técnica, viesse questionar os resultados, tentar denegrir a sondagem e a metodologia utilizada. E quem até tivesse, de forma anónima, propalado falsidades na rede.

Se nós quiséssemos fazer previsões haveríamos de usar outros critérios, haveríamos de preparar amostra, levar em consideração o histórico das eleições anteriores, ajuizar sobre como se comportam eleitores de diferentes partidos, eventualmente ponderar os resultados para colmatar a percepção de desvios ou insuficiências. Lembrando um pouco aqueles estudos que se fazem para confirmar opiniões ou preconceitos, mas que não obedecem ao princípio sagrado dos cientistas: ter a humildade de respeitar as evidências. Aliás para fazer previsões nem sequer é preciso fazer sondagens, e garanto-vos, eu próprio sem nenhuma sondagem, recorrendo ao senso comum, teria conseguido uma excelente aproximação aos resultados.

Mas a Marktest não joga no campeonato de ver quem acerta mais ou melhor nos resultados das eleições. A Marktest joga no campeonato do Rigor, da Independência e da Transparência. E, nesse campeonato aceita meças que, na minha opinião, vão muito para lá da análise de uma ficha técnica. Podem passar por uma auditoria rigorosa e independente aos métodos e processos, coisa que nunca foi feita em Portugal.

Luís Queirós
Chairman do Grupo Marktest

Este texto está disponível no Blog da Fundação Vox Populi.

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