A Internet no lar
A Internet no lar
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Vítor Cabeça, Director Adjunto de Estudos de Meios da Marktest, reflecte sobre a evolução da Internet em Portugal ao longo da última década, tendo como base os dados do Bareme-Internet, estudo de base sobre o consumo de Internet em Portugal.
Grupo Marktest
1 fevereiro 2011

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O facto é que, no mundo da Internet, as leis da física parecem ser diferentes, ou pelo menos muito aceleradas, acontecendo tudo tão rápido que o "ontem" parece já ter ocorrido há uma semana, o "ano passado" parece já ter sido há uma década e o que se passou na Internet há 10 anos, parece ser tão remoto como o tempo em que víamos televisão a preto e branco.

Frequentemente os dados ajudam-nos a ter uma perspectiva mais rigorosa do que acontece e como acontece. Certamente que isso é verdade para a Internet que, por omnipresença na media, sugere ser tão acessível como a televisão ou a electricidade. Mas não é exactamente assim, como revelam os dados do Bareme Internet, que começou a estudar em 1997 a relação dos portugueses com a Internet.

A Internet "caseira"

Segundo os dados mais recentes (2010) deste estudo, dois terços dos portugueses1 (15+ anos) acedem à Internet. No entanto, há apenas 10 anos, esse valor era de 27%, o que representa um crescimento de 250%, apenas numa década.

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No entanto, esse crescimento não foi homogéneo para o acesso a partir de casa, do trabalho ou da escola. Destaca-se claramente o crescimento de acesso no lar, que mais do que quadruplicou.

No caso do acesso doméstico, não se tratou apenas de uma ampliação do número de lares ligados, mas também o respectivo perfil tecnológico. Este evoluiu acentuadamente nos últimos anos: aumentou o número de computadores ligados por lar, as suas características e também a velocidade de acesso.

Computadores domésticos

Enquanto há apenas 4 anos (2006) havia, em média, 1,4 computadores por cada um lar "informatizado", em 2010 essa média passou para 1,8.

Os computadores portáteis também expandiram a sua presença, dado que em 2010 mais de metade (53%) dos lares portugueses têm um computador portátil. Apenas 4 anos antes esse valor era de 19%, o que representa quase o triplo do número. Actualmente, em 700 mil lares portugueses chegam mesmo a existir dois ou mais portáteis (20% do total de lares). Como veremos mais à frente também esse indicador teve uma evolução interessante.

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Quanto à penetração de portátil nos lares nacionais, as diferenças são mais acentuadas na segmentação por Idade média do agregado familiar e pelo número de pessoas no lar.

Enquanto 80% do total de lares com idade até 30 anos possui computador portátil, apenas 11% dos lares com idade média superior a 60 anos também possui este equipamento. Da mesma forma, nos lares com mais do que 2 pessoas é mais frequente a existência de computador portátil (73%), ao contrário dos lares que têm até duas pessoas (30% destes também possuem portátil).

A probabilidade de encontrarmos um computador portátil é também maior junto dos lares da classe alta, já que 87 % deles possui este equipamento, um valor que baixa gradualmente até aos 19% registados pelos lares da classe baixa.

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Nota-se, também neste indicador, uma progressão interessante, nos últimos anos. Como o gráfico seguinte torna claro, para além do crescimento global da penetração dos computadores portáteis (de 19% em 2006 para 53% no ano passado), nos últimos dois anos aumentou o peso dos lares com 2 ou mais portáteis, comparativamente aos lares com um.

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Esta evolução fez com que a média de portáteis por lar evoluísse de 1,1 para 1,5, neste mesmo intervalo de tempo.

Lares ligados

Quanto ao tipo de ligação, o Bareme-Internet, contabiliza 2 034 mil lares em Portugal Continental que acedem à Internet em banda larga, um número que representa 58% do universo de lares em estudo e 92.3% dos lares que têm acesso à internet (estimado em 2 204 mil lares).

Uma análise evolutiva mostra que a penetração deste tipo de ligação aumentou 16 vezes nos últimos oito anos, passando de 3.6% em 2002 para os 58.0% agora observados.

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Tudo ligado

Estamos, portanto, perante um meio extremamente dinâmico e onde a evolução não irá parar nos próximos anos. Muito pelo contrário, os novos equipamentos emergentes, de acesso à Internet, trarão novidades acentuadas, fazendo aumentar o actual valor de 9% dos portugueses que já acedem à Internet por telemóvel.

Esta tendência dupla (crescente penetração das plataformas actuais e crescente variedade de plataformas de acesso) representa um desafio acrescido para a Marktest, que tem como um dos seus objectivos estudar o mercado Internet e fornecer informação sólida ao mercado.

Mas, o percurso da Marktest tem sido pautado por desafios e não será por falta de respostas, presentes e futuras, que o mercado Internet verá limitadas as suas capacidades de crescimento.



1 O Bareme Internet estuda os residentes em Portugal Continental com 15 e mais anos. A metodologia e outras informações sobre o estudo podem ser consultadas aqui.

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Vítor Cabeça
Director Adjunto na Direcção de Estudos de Meios na

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