Covid 19 nos media

Covid 19 nos media

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A MediaMonitor está a monitorizar e analisar as alterações no consumo de media que a pandemia está a provocar na sociedade portuguesa. Confira a análise dos números.

Grupo Marktest
27 março 2020

A pandemia associada ao Covid-19 e o consequente anúncio do Estado de Emergência em Portugal têm estado no centro do dia.

Em termos de notícias, o volume de informação sobre o assunto tem sido quase omnipresente e o evolutivo de notícias com referência à doença demonstra-o claramente, com a semana de 16 a 22 de março a registar mais do triplo de notícias em média por dia sobre o assuno do que no período anterior a 08 de março.

O receio da doença, os apelos para o isolamento social e o estado de emergência entretanto decretado pelo Presidente da República levaram a que 42% da população esteja em teletrabalho (de acordo com sondagem Marktest) e que as pessoas fiquem o mais resguardadas possível em casa. Essa situação provocou um acréscimo muito significativo das audiências televisivas.

Com efeito, o consumo TV tem aumentado, tendo-se verificado o maior pico de audiência ao domingo, com este dia da semana a ter melhor audiência média a cada semana que passa. No dia 08/03, a audiência média do Total Televisão tinha sido de 25.9%, no domingo seguinte dia 15/03 foi de 31.6%, e este último domingo, dia 22/03, o valor subiu para 33.2%. De referir ainda a título comparativo que no período de 22/02 a 26/02 tinham decorrido as férias escolares do Carnaval.

Esse crescimento de consumo TV tem-se verificado quer nos canais FTA (Free-to-Air), isto é a RTP1, a RTP2, a SIC e a TVI, quer nos canais Cabo, quer ainda no Outros (que inclui todo o tipo de outros consumos como gravações com mais 7 dias, streaming, jogos de consolas, etc.), com a última semana a registar valores de audiência média bastante superiores aos valores habitualmente registados.

Em termos de canais FTA (Free-To-Air), a SIC tem mantido a liderança ao longo destas 2 últimas semanas, tal como se vinha a verificar no período anterior à pandemia, mas para todos os canais os valores da última semana de 16 a 22 de março foram superiores.

Já no que diz respeito aos canais informativos, a CMTV tem liderado, com uma evolução crescente semana após semana. Esta tem sido aliás uma tendência também verificada nos outros canais de informação - SIC Notícias, TVI24 e RTP3 (inclui RTP3 TDT).

Nestas últimas semanas, o aumento de consumo televisivo foi transversal a todos os escalões etários e classes sociais. Com efeito, numa análise relativa ao período entre as 9h e as 18h, em que uma grande maioria dos portugueses costuma estar habitualmente a trabalhar fora de casa, notamos um acréscimo considerável de audiência média nos diferentes segmentos etários, com especial destaque para os 4-14 anos (fecho das escolas a 13/03), assim como nas diferentes classes sociais e na população activa e não activa.

A própria emissão dos canais FTA foi igualmente influenciada pela pandemia do Covid-19, com várias alterações em relação à programação habitual (cancelamento de alguns programas em directo, emissão de repetições de programas, etc.). Em termos de tipologias, os programas de Informação e de Juventude aumentaram o tempo emitido, enquanto que na última semana a tipologia Desporto desapareceu por completo da antena dos 4 canais generalistas:

O reach% (percentagem de pessoas contactadas) dos programas de cada tipologia nos canais Free-To-Air (RTP1, RTP2, SIC e TVI) também demonstra que os programas de Informação têm atraído mais espectadores, assim como os programas de Divertimento que ocupam grande parte da grelha de emissão durante o dia.

Quando olhamos para o panorama da publicidade (excluindo a comunicação das próprias estações), podemos verificar que o tempo de publicidade nos canais FTA sofreu uma quebra de 4h34m no dia 22 de Março, face à média diária do período de 06 de Janeiro a 08 de Março (média de 12h39m):

Relativamente aos 38 canais Cabo analisados, pegando nas mesmas datas como referência, nota-se uma diminuição de 06h10m:

A acompanhar as audiências, também se nota um crescimento dos grp's nos canais FTA a 15 de Março, mas devido à quebra de inserções nos dias seguintes, -46% a dia 22 de Março, a curva de grp's acaba por decrescer:

Relativamente aos canais Cabo, também o dia 15 de Março sofre um aumento de grp's. Neste caso o decréscimo da curva é menos notório, devido ao número de inserções ter decrescido apenas 14%:

Tal como foi referido anteriormente o tempo da publicidade começa a diminuir e consequentemente notam-se quebras evidentes nas estreias de campanhas. Nos gráficos das estreias dos meios Tv, Rádio e Imprensa (respectivamente), percebe-se que Rádio foi o meio que teve maior diminuição de novos anúncios, sendo bastante visível a partir do dia 17 de Março:

(Nota: a queda de publicidade de Imprensa do dia 01 para o dia 02 não reflete uma quebra efectiva, visto o dia 01 contemplar todas as publicações mensais/bimestrais/trimestrais)

Nesta época de incerteza perante um vírus novo, a Direção Geral da Saúde usou o meio Tv como veículo principal para transmitir informação à população. A 06 de Março arrancaram os anúncios informativos de como prevenir o coronavirus e a 13 de Março apostam nas figuras públicas de cada estação para informar e sensibilizar os telespectadores.

Os canais utilizados pela DGS foram os canais do universo SIC, do universo TVI, do universo RTP e da CMTV. Ao todo, foram usadas 09h18m em Tv, 1h53m em Rádio e 7 inserções em Imprensa.

A República Portuguesa também usou o meio Tv para sensibilizar e informar a importância da educação e a prática de exercício das crianças neste período que não é de férias ou apelar para que as pessoas fiquem em casa e usar as plataformas digitais dos serviços do estado.

A RTP criou as campanhas #fiqueemcasa, com conselhos de leituras e de divertimento, através de várias figuras públicas. De salientar que a P&G colocou nas suas criatividades o #EuFicoEmCasa, assim como marca President, demonstrando preocupação e criando laços com o consumidor.

Os hipermercados Auchan, Continente e Lidl apelaram à solidariedade, agradecendo a todos aqueles que continuam a trabalhar para que tudo funcione. Outras marcas como a MEO, Santander, NOS, Expresso, M80, Rtp/Zig Zag, Dott e Betclic fizeram comunicação específica, alguns alterando mesmo o seu posicionamento para manter a ligação com o consumidor, numa altura de isolamento e mudança de hábitos.

Esta análise foi realizada com recurso à YUMIANALYTICS da MediaMonitor para a semana de 16 a 22 de março de 2020.

Contacte-nos para mais informações sobre este assunto.

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