Marktest.com notícias entrevista o presidente do grupo Marktest sobre a situação da audimetria em Portugal

Em entrevista à Marktest.com Notícias, Luis Queirós, Presidente do Grupo Marktest, mostra-se precupado com a situação actual da audimetria, resultado da crise que afecta o mercado publicitário.

No seu entender, a resolução destes problemas poderá passar pelo definição de contratos com os clientes a um prazo mais alargado (através do estabelecimento de um protocolo com a CAEM), por uma correcção dos preços pagos pelos operadores e agências ou ainda pela redução do painel de audimetria – decisão extrema que só será tomada se estiver em causa a qualidade do sistema e se esgotadas todas as outras alternativas.




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Como vê a situação da audimetria neste momento?

Luís Queirós: A situação que se vive é consequência directa da crise que afecta o mercado publicitário. Nós estamos no centro do negócio da publicidade e por isso vejo a situação com alguma preocupação sobretudo pelos reflexos que está a ter e pode vir a ter futuramente para a Marktest Audimetria. Tanto mais que a crise ocorre num momento em que os custos crescem e em que se inicia um ciclo de investimentos para acompanhar a tecnologia do futuro. Nos últimos anos tem-se verificado uma elevada taxa de crescimento do parque de aparelhos de televisão e VCR nos lares, que tem obrigado a nossa empresa a um esforço suplementar para manter uma adequada cobertura dos televisores dos lares do painel de audimetria.

Também a maior sofisticação dos modernos aparelhos de televisão obriga a cuidados especiais na instalação dos medidores, acontecendo em alguns casos serem necessários alguns dias para fazer o trabalho que antes se fazia em algumas horas. O risco de provocar avarias, normalmente implicando substituição dos aparelhos, é também agora maior. E as recusas dos lares são em numero cada vez maior.



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Afinal, a anunciada ampliação do painel não se verificou. O que se passou?

LQ: A ampliação do painel para inclusão de mais 75 lares, recomendada e aprovada pela Caem, foi suspensa por imposição de um operador, por razões ainda pouco claras. Isso obrigou-nos desperdiçar um elevado investimento no recrutamento e preparação de pessoal e no recrutamento de lares e também a anular uma encomenda de 300 medidores. A empresa perdeu um contrato importante e teve, por isso, de suportar prejuízos consideráveis, no ano em curso, com os quais não contava.

A proporcionalidade da amostra que se irá estabelecer no próximo ano irá acarretar custos adicionais, pois os lares com cabo têm mais televisores e estes são mais sofisticados.

É também aconselhável antever desde já a situação que vai ser criada com o aparecimento da televisão digital. Tudo isto obrigará a realizar investimentos.



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A empresa está preparada para fazer esses investimentos ?

LQ: A Marktest Audimetria não tem capacidade financeira para realizar os investimentos necessários. A situação depressiva do mercado publicitário que se vive neste momento também não aconselha esses investimentos. E até a precariedade dos actuais contratos anuais não protege investimentos que são apenas recuperáveis em prazos de 5 a 7 anos.



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Qual será, então, o caminho a seguir?

LQ: A concretização de um protocolo com a CAEM, que vincule os clientes num prazo alargado, parece ser o caminho a seguir dentro do espírito e da letra que levou, em 1998, à adopção pela CAEM de um estudo padrão de audimetria. Isso permitirá fazer contratos de longo prazo e, eventualmente, corrigir os preços pagos pelos operadores comparativamente às agências de publicidade e centrais de meios.



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E se isso não for feito? O serviço poderá ser afectado?

LQ: Com os limitados recursos disponíveis, propõe-se a Marktest Audimetria continuar a prestar um serviço compatível com as exigências do mercado e com os mais elevados padrões de qualidade. Eu estimo que os preços praticados em Portugal são cerca de um terço dos preços médios Europeus para um painel da mesma dimensão. Isto só é possível pela elevada abnegação e alto profissionalismo do pessoal da empresa a quem não é lícito continuar a exigir sacrifícios como até aqui.



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Perante as dificuldades que acaba de referir, a Marktest Audimetria encara a possibilidade de reduzir a amostra do painel?

LQ: A redução da amostra do painel será uma decisão extrema que poderá vir a ser tomada se estiver em causa a qualidade do serviço e se forem esgotadas todas as outras alternativas. Nós não podemos forçar os clientes a aceitar preços mais elevados Mas não podem os clientes exigir mais do que aquilo que é possível fazer, nem aquilo que possa pôr em causa a viabilidade da própria empresa e que, em última análise, se iria reflectir na a qualidade dos dados produzidos.



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E como vê o papel da CAEM ?

LQ: A CAEM teve e tem um papel muito relevante na melhoria e consolidação da audimetria em Portugal. Em particular as televisões tiveram um papel relevante na criação da CAEM. Por isso eu entendo que nada se deverá fazer sem a CAEM e muito menos contra a CAEM. O mercado precisa de um organismo regulador. Nós precisamos de um interlocutor válido e reconhecido pelas três partes envolvidas: televisões, agencias de meios e anunciantes.



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