O Governo em notícia

A Mediamonitor realizou recentemente um estudo sobre a exposição do Governo nos noticiários televisivos entre Janeiro de 2001 e Setembro de 2002, com base no seu software e-telenews.com.

Da análise dos resultados surgem algumas conclusões interessantes: num primeiro momento de maior exposição governativa (de Janeiro a Junho de 2001), a tragédia de Entre-os-Rios e subsequente pedido de demissão do Governo de Jorge Coelho, fazem aumentar o tempo noticioso dedicado a esta instituição; observa-se um período de baixa (de Julho de 2001 a Março de 2002), que inclui os meses de Verão até às eleições legislativas, passando pelas eleições autárquicas e a subsequente demissão de Guterres, caracterizado por uma menor exposição; num terceiro momento, caracterizado por uma segunda alta (de Abril de 2001 a Setembro de 2002), é a crise na RTP e o caso Portas/Moderna que alimentam o tempo noticioso sobre o tema.

Os momentos noticiosos

De Janeiro de 2001 a Setembro de 2002, os quatro canais de Televisão generalistas atribuíram ao Governo, como instituição, um total de 324 horas e 46 minutos de cobertura noticiosa.

Durante esse período, foi em Março de 2001 (mês da tragédia de Entre-os-Rios e da demissão de Jorge Coelho) que o Governo obteve o maior tempo de exposição, um máximo de 28 horas, 26 minutos e 59 segundos. No polo oposto, foi em Março de 2002 (mês de legislativas) que conseguiu o mínimo de exposição: quatro horas, 19 minutos e 5 segundos.

A análise do gráfico pemite verificar que ao longo do período considerado existem três momentos distintos: uma Primeira Alta, de Janeiro de 2001 a Junho de 2001, um segundo momento de Baixa, de Julho de 2001 a Março de 2002 e uma Segunda Alta, de Abril de 2001 a Setembro de 2002.

Na primeira alta, o primeiro pico de exposição surge em Março de 2001 (mês marcado pela tragédia de Entre-os-Rios e subsequente pedido de demissão do Governo de Jorge Coelho), sendo que os valores aumentam novamente em Maio e Junho de 2001 (meses marcados pela polémica discussão do Orçamento Rectificativo).

No período de baixa, incluem-se todos os meses de Verão (desde Julho de 2001) até às eleições legislativas, passando pelas eleições autárquicas e a subsequente demissão de Guterres, facto que não provocou alteração no tempo noticioso que as televisões dedicaram à instituição governativa.

A segunda alta começa com a tomada de posse do Governo de coligação PSD/CDS-PP, tendo apenas registado um valor mais reduzido em Agosto. Este período é marcado por dois picos, correspondentes à crise na RTP e ao caso Portas/Moderna.

Os canais e o Governo

Durante todo o período analisado, nem sempre os quatro canais de Televisão generalistas, considerados individualmente, atribuíram ao Governo como instituição o mesmo tempo de exposição nos noticiários televisivos.

Durante esse período, os picos de maior exposição foram assegurados pela a RTP1 (em Junho e Maio de 2001, e em Julho e Setembro de 2002). Excepção para o pico de Março de 2001, para o qual a TVI teve maior contribuição.

Na primeira alta, a RTP1 lidera a exposição, com excepção de Março e Abril, meses durante os quais a maior exposição é dada pela TVI. A RTP2 é o canal que menos contribui para a exposição do Governo, ficando afastado dos restantes canais, inclusive no pico de Março. Neste mês, ao contrário da tendência verificada nos restantes canais, o segundo canal do Estado, registou uma descida.

No Período de baixa, liderado alternadamente pela RTP1 e pela SIC, a RTP2 continua a ser o canal que menos exposição atribui ao Governo. Só em Fevereiro de 2002 (mês anterior às legislativas), e desde o início de 2001, é que a RTP2 deixou de ser o canal que menos expunha o Governo.

No período de segunda alta, é novamente a RTP1 que lidera em tempo de exposição. O canal que menos expõe o Governo passou a ser primeiro a SIC e depois a TVI. A RTP2 passa de um quarto e último lugar em exposição do Governo para segundo.

A relevância do tema por canal

Se compararmos os valores brutos de exposição com o total de notícias emitidas durante o mesmo período, aferimos da relevância que o tema Governo tomou no conjunto da informação televisiva.

Assim, a RTP2 é o canal que, praticamente durante todo o intervalo considerado, mais tempo dos seus noticiários reservou para notícias relacionadas com a actividade governativa. O segundo canal do Estado chegou a dedicar ao Governo 16.7% do tempo de informação total em Fevereiro de 2001; 20.2% em Maio de 2002 e 18.0% em Julho deste ano.

No polo oposto, a TVI é o canal que (excepto em Março e Julho de 2001 e Dezembro e Janeiro de 2002) menos relevância dá ao tema, comparando com o total da informação que emite.

De notar que desde que o Governo de Coligação tomou posse, a RTP2 é o canal que maior relevância dá ao tema, e a TVI é o canal que menor importância relativa lhe concede.



Arquivo de notícias

Clipping

ver mais

Em Agenda ver mais