Análise do Barómetro político Marktest/DN/TSF

Em Outubro, o Barómetro revela algumas mudanças na intenção de voto e mostra como os portugueses já estão a sentir a crise económica.

No Gráfico 1 podem ver-se as tendências recentes da intenção de voto.

Gráfico 1. Intenções de Voto


Os factos mais assinaláveis deste mês de Outubro são a subida do PSD e a descida do CDS-PP.

O PS, em termos de intenção de voto, é ultrapassado pelo PSD pela segunda vez depois das eleições de Março passado (com uma maior diferença favorável ao PSD do que em Maio), enquanto a CDU recupera o valor de Junho e o BE atinge o seu valor mais baixo depois das eleições.

O CDS-PP desce 2,6 pontos, podendo esta descida traduzir uma deslocação do eleitorado do CDS-PP para o PSD.

A descida do CDS-PP está ligada a uma forte erosão do seu líder, Paulo Portas, que, depois de ter beneficiado de uma imagem favorável durante longos meses, acaba por cair neste Barómetro do mês de Outubro que se reporta a um período de forte desgaste e de forte exposição mediática do Ministro da Defesa, desgaste esse a que não é alheio o caso Moderna.

As opiniões negativas sobre Paulo Portas sobrepõem-se às positivas, pela primeira vez, durante a vigência deste Governo. Em termos de imagem, Portas recua para os valores que tinha tido em Janeiro e Fevereiro passados.

Será de destacar que, juntamente com Durão Barroso e Jorge Sampaio, Paulo Portas é o político que tem menos referências de “Não sabe/não responde” (18%), o que indica que estas personalidades deixam muito poucas pessoas indiferentes.

Jorge Sampaio mantém-se nos elevados valores de 74% a que o Barómetro já nos habituou para as personalidades que ocupam a presidência. O Presidente da República tem sido uma figura sempre preservada em termos de imagem. Desde Ramalho Eanes, passando por Mário Soares, que nunca (ou raras vezes) um Presidente da República viu a sua imagem diminuída abaixo dos 70%, a lembrar talvez que a mentalidade dos portugueses preza a figura do seu Chefe de Estado.

A imagem de António Guterres entra nos valores do esquecimento, com 23% já sem opinião. Durão Barroso sobe muito ligeiramente e Ferro Rodrigues baixa e está muito longe dos valores que tinha como ministro do Governo socialista.

João Soares, afastado da CML, baixa para valores que o colocam no fundo da escala e Santana Lopes continua em alta.

Índice de expectativa

Enfim, a ruptura que existe no eleitorado está perfeitamente reflectida na avaliação da situação económica, medida pelo índice de expectativa, conforme o Gráfico 2.

O pessimismo é o mais elevado desde há um ano e está em forte tendência de crescimento desde Julho. Esse pessimismo, sendo ainda maior à esquerda, já é importante à direita; a esperança pós eleitoral já se desvaneceu nos dois últimos meses.

As mulheres estão mais pessimistas que os homens, numa tendência que já vem de longe.
O grupo etário dos 35/54 anos é o mais pessimista , quando antes eram os maiores de 55 anos, mostrando, certamente, as preocupações com os projectos de legislação laboral e de segurança social que o Governo tem em mente.

O pessimismo grassa em todas as regiões do país, sem excepção.

Gráfico 2. Índice de Expectativa

Nota: as curvas relativas a PS e PSD referem-se aos entrevistados que declararam tencionar votar nesses partidos


Ficha Técnica

Estudo realizado pela Marktest através de entrevistas telefónicas junto de 806 indivíduos residentes em Portugal Continental. A recolha da informação teve lugar entre os dias 14 e 17 de Outubro de 2002. A Ficha Técnicado estudo foi publicada no DN do dia 25.10.2002.



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