Um exercício de matemática eleitoral

Marktest,  1 fevereiro 2005

A menos de três semanas das próximas eleições legislativas, a publicação e divulgação de sondagens sobre a intenção de voto dos eleitores portugueses tem-se intensificado. Esta temática, alvo de debate aceso na passada semana, gera expectativas e dúvidas que são amplamente discutidas nos media, no seio das forças partidárias concorrentes e até mesmo pela opinião pública em geral.

"As sondagens valem o que valem", como há quem diga; valem seguramente pelo retrato que se pretende o mais fiel e rigoroso possível do momento a que se reportam, expressando numericamente ideias, opiniões e comportamentos dos inquiridos. E a possibilidade de analisar os dados estatísticos, provenientes das sondagens em geral e das sondagens políticas em particular, leva-nos a estudar e observar comportamentos e tendências. Neste contexto pré-eleitoral, parece-nos importante analisar alguns indicadores, que paralelamente concorrem para uma melhor compreensão do fenómeno eleitoral português.

Numa análise dos últimos 7 actos eleitorais para a Assembleia da República, constata-se que em média 71.06% dos votos são alcançados pelos dois principais partidos, PS e PSD, e, se tivermos em consideração os últimos 4 actos eleitorais, este valor atinge os 78%.

Analisando os valores médios alcançados, verifica-se que entre 1991 e 2002 o PS atingiu uma média de votação de 38.72% e o PSD de 39.24%, totalizando este dois partidos um valor médio de cerca 78%.

Os ganhos e perdas registados pelas duas maiores forças partidárias, PS e PSD, traduzíveis numa alternância governativa, dependem fudamentalmente da alternância de voto que se faz entre o eleitorado flutuante destes dois partidos políticos. Qual o seu peso face ao eleitorado fixo ou estável? Importa pois saber quanto representa o eleitorado estável de cada um destes dois partidos para que possamos analisar posteriormente o comportamento do seu eleitorado flutuante. O comportamento do eleitorado flutuante será determinante na vitória a alcançar por uma ou outra força partidária .

À pergunta: "Costuma votar nas Eleições para a Assembleia da República sempre no mesmo partido ou não?" verificamos que o PS apresenta um valor médio de eleitorado estável de 67.4% e o PSD de 62.7%.

Significa isto que se o PS obteve uma média de votação de 38.72%, nos últimos 4 actos eleitorais, a percentagem do seu eleitorado fixo representa 26.12%. O mesmo raciocínio para o PSD: uma média de votação de 39.24% e um valor de eleitorado fixo de 24.62%. O diferencial entre o eleitorado fixo de ambos os partidos e o valor global médio de votação alcançado é de 27.22%, ou seja este é o valor correspondente ao peso do eleitorado flutuante de ambos os partidos. Serão estes 27% de eleitores que decidirão a vitória do PS ou do PSD a 20 de Fevereiro de 2005.

Bárbara Gomes
Directora de Estudos Sectoriais, Marktest

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