Conhecer a Apodemo



António Salvador

A propósito do recente Congresso da Apodemo, a Marktest.com Notícias entrevistou o seu actual Presidente, António Salvador, que nos falou sobre os objectivos e actividades desta Associação e sobre a situação actual dos estudos de mercado em Portugal.




O que é a Apodemo? Quando, por quem e porque foi fundada?

A APODEMO (Associação Portuguesa de Estudos de Mercado e Opinião) foi fundada em 1993, tendo a sua Assembleia Constituinte, reunida no dia 30, sido constituída pelas seguintes empresas:


EmpresaRepresentação
MarktestLuís Queirós
Norma S.A.Armando Henriques
Euroteste José Vidal de Oliveira
Business Directions Group    Maria Teresa Monjardino
Intercampus António Salvador
ESEO Manuel António Lopes
APEME Carlos Alberto Liz
Euroexpansão Luís Valente Rosa
Cemase João Pinto Carmona
DATA E Fernando Domingues
Multivária Paula Freire
ACNielsen Joaquim Domingos
AGB Portugal José Manuel Oliveira
Sabatina Antónia Maximiano


Quem faz actualmente parte da Direcção da Apodemo?

A actual direcção é composta por:


Presidente: GfK Portugal Marketing Services - António Salvador
Vice-presidente: Ipsos - Isabel Rebelo da Silva
Tesoureiro: Millward Brown - João Marques
Vogais: Consulmark - José Constantino Costa e Ims Health - Carlos Mocho
Secretária: Graça Sá da Bandeira


Quais os principais objectivos da Apodemo?

A APODEMO foi prioritariamente constituída para:


  • Promover a confiança nos estudos de mercado e opinião, junto dos seus utilizadores e do público em geral e
  • Contribuir para o estabelecimento de elevados padrões de qualidade e éticos, definindo códigos de conduta para o sector.

Serão ainda objectivos importantes:


  • A representação e a defesa dos interesses dos Associados e a divulgação das suas posições comuns, quer a nível nacional, quer internacionalmente, junto de quaisquer entidades, públicas ou privadas;
  • Contribuir para a modernização e o desenvolvimento do sector de estudos de mercado e opinião;
  • Prestar apoio técnico aos Associados e fornecer-lhes a informação disponível sobre os assuntos do interesse dos mesmos Associados.

Para o desenvolvimento dos fins estabelecidos compete à Associação:


  • Colaborar com os organismos oficiais e outras entidades para solução dos problemas do sector;

  • Como bom exemplo, podemos referir o trabalho realizado no âmbito da lei das sondagens, nomeadamente com a Presidência do Conselho de Ministros e a Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS), sendo documento fortemente ilustrativo a Portaria regulamentadora. Nela, pela primeira vez, o legislador entendeu privilegiar as empresas de sondagens “de carreira” contra as empresas fantasma e contra as outras entidades que desenvolvem concorrência desleal, como os Centros de Sondagens de órgãos de Comunicação Social ou as Universidades. Talvez mais importante que a Portaria em si, é o facto de a defesa da nossa actividade ter surgido naturalmente, isto é, fruto do reconhecimento gradual da sua importância.

    Mais recentemente podemos realçar os esforços da AACS junto do STAPE (Secretariado Técnico para os Assuntos do Processo Eleitoral) para a divulgação dos resultados descriminados dos recenseamentos eleitorais ventilados por regiões autónomas, distritos, concelhos e freguesias, que a ser aprovado vem preencher uma lacuna na definição dos universos a que se referem as amostras das sondagens eleitorais.

    Compete ainda à APODEMO:


    • Colaborar na coordenação e regulamentação do exercício da actividade e protegê-la contra as práticas lesivas do seu interesse e do seu bom nome;

    Nesse sentido, temos trabalhado com a Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD), com o fim de criar um código de conduta, já que a legislação sobre protecção de dados é neste momento um enorme desafio para a nossa actividade, dificultando o acesso e limitando o controlo de qualidade.

    Actualmente, a APODEMO integra quase todas as empresas relevantes do sector dos estudos de mercado e opinião em Portugal. Dado que os Estudos de Mercado são cada vez mais utilizados e é cada vez mais reconhecida a sua importância, a definição dos fins da APODEMO posiciona-a como um parceiro privilegiado para todos os que operam neste sector. São 29 as empresas associadas da APODEMO, devendo ser analisados este ano 2 ou 3 pedidos de adesão.

    Uma das actividades mais visíveis da Apodemo, é a organização do seu Congresso Anual, que decorreu recentemente. Como acha que correu este Congresso? Como avalia a sua qualidade e a sua utilidade para os estudos de mercado e opinião?

    Em termos das principais actividades desenvolvidas é de realçar a realização de 3 edições do Curso Básico de Estudos de Mercado, que é já uma referência no sector, para além da realização anual do Congresso da APODEMO.

    Este ano realizou-se o 9º edição do Congresso, no passado dia 21 e 22 de Maio, que contou com a participação das principais empresas do sector. Este evento é sempre importante, na medida em que é um acontecimento que permite a troca de conhecimentos e experiências, para além de proporcionar uma confraternização entre pessoas que trabalham na mesma área e que poucas oportunidades têm para se encontrar.

    Outras actividades da APODEMO para além destas, são a realização de seminários e jantares-colóquios para a apresentação e discussão de temas de interesse para o sector.

    Outra das actividades da Apodemo é a criação do CODEMO. O que é este documento? Em que fase está (já está redigido/aprovado... em funcionamento)? Que princípios básicos defende o Codemo?

    O CODEMO – Código Português para Estudos de Mercado e Opinião – é o Código de Conduta da Associação das Empresas de Estudos de Mercado e Opinião. Visa a regulamentação das empresas associadas estabelecendo regras de qualidade para todo o processo de um estudo de mercado. É fundamentalmente um conjunto de requisitos mínimos de qualidade necessários para as actividades relacionadas com os estudos de mercado e opinião.

    Neste momento, este documento está redigido e em fase de subscrição pelas empresas associadas da APODEMO.

    Como avalia a actual situação do mercado português de estudos de mercado e opinião?

    Em termos do mercado, 2002 (ainda não temos dados finais) terá sido um ano de estagnação, haverá empresas que terão tido um bom desempenho, mas na maioria dos casos, foi um ano menos bom. Em termos europeus, não há ainda números. Mas das conversas que temos mantido, nomeadamente, no seio da Federação das Associações Europeias das Empresas de Estudos de Mercado (EFAMRO) a realidade de 2002 foi uma realidade bem diferente da de 2001, e as perspectivas para 2003 não são as melhores.

    Não nos podemos, no entanto, alhear do facto de estarmos perante um panorama de crise a nível mundial e embora sem grandes perspectivas de crescimento para o momento, acredito que o sector de Research em Portugal ainda tem bastante espaço de crescimento, fomentado sobretudo pelo aparecimento de novas pessoas (e pessoas novas!) com uma atitude proactiva, uma maior capacidade de resposta com rapidez e qualidade da parte das empresas, um muito melhor conhecimento das novas tecnologias e uma melhor identificação com elas.

    Entretanto, continuam a acentuar-se tendências que já eram do conhecimento de todos, como a globalização e a concentração, convergindo para uma grande concentração do sector, que estabilizará à medida que os grandes grupos forem completando as suas redes.



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